Trata-se de um e-mail encaminhado a mim pelo Caio, que eu não sei bem de quem é, mas cujo conteúdo dá muito pano pra manga. Espero que vocês gostem e que possamos discutir. Abraços
Hugo
o Brasil fracassou na única coisa que não poderia ter fracassado, na educação, e isso começou na época do então regime militar, quando inventaram o tal do Mobral e passaram a se preocupar com a quantidade, não que isso não fosse importante, e se esqueceram da qualidade.
Na aviação a gente tem um postulado que diz que, pior do que um piloto que não sabe, é um piloto que acha que sabe. Trazendo isso para a educação, pior do que um analfabeto, é uma pessoa mal alfabetizada.
Inventaram nomes modernosos para os antigos primário, admissão, ginásio e científico ou clássico, a base de tudo, mas esqueceram de manter a qualidade que eles tinham.
Inventaram nomes modernosos para os antigos primário, admissão, ginásio e científico ou clássico, a base de tudo, mas esqueceram de manter a qualidade que eles tinham.
Já no nível superior, a coisa foi mais trágica ainda porque, além da queda brutal do nível do ensino das instituições já consagradas, permitiram que se abrissem aos borbotões fábricas e mais fábricas de diplomas; lucrativas instituições particulares que nos apelidamos de UniEsquina, Fafup e outros nomes jocosos assim.
Inicialmente eram apenas cursos, digamos, insipientes, mas que hoje caminham perigosamente à formação de médicos, engenheiros e outras temeridades dessas.
Via de regra, os bares que ficam ao redor dessas UniEsquinas são mais movimentados do que as próprias salas de aula.
Aliás não só os bares vizinhos a essas Fafups, muitos botecos que ficam ao redor de instituições de ensino tradicionais e consagradas também já estão tendo mais movimento do que as próprias escolas.
Ao mesmo tempo, deu-se força e crédito aos chamados intelectuais de barzinho, intelectualóides que acham que Chico Buarque é música erudita, que maconha deixa mais lúcido e outras bobagens assim.
Ao mesmo tempo, deu-se força e crédito aos chamados intelectuais de barzinho, intelectualóides que acham que Chico Buarque é música erudita, que maconha deixa mais lúcido e outras bobagens assim.
Já que mencionei música erudita, não consigo esquecer um jovem e querido amigo que estava se formando em uma dessas faculdades de carregação e que perguntou se eu tinha "aquela vinhetinha" que tocava na Hora do Brasil, porque ele pretendia usa-la para sonorizar o seu trabalho de conclusão de curso.
"Aquela vinhetinha" era a protofonia da ópera O Guarani, no meu entendimento a mais importante ópera brasileira.
Teve também um professor de cursinho que insistia em falar aos seus alunos da "famosa" sinfonia inacabada... de Beethoven segundo ele... pasmem.
Agora, no meu entendimento de quem teve a felicidade de ter um ensino às antigas, com direito a latim, francês e inglês e a ter que levantar quando uma pessoa mais velha entrava na sala de aula, eu lhe digo que nada mais trágico nessa tragédia do que a desmoralização dos professores, seja pelo aviltamento das suas remunerações ou pelo aviltamento da sua autoridade.
Agora, no meu entendimento de quem teve a felicidade de ter um ensino às antigas, com direito a latim, francês e inglês e a ter que levantar quando uma pessoa mais velha entrava na sala de aula, eu lhe digo que nada mais trágico nessa tragédia do que a desmoralização dos professores, seja pelo aviltamento das suas remunerações ou pelo aviltamento da sua autoridade.
Autoridade que aliás já começa a ser aviltada na própria casa dos alunos, porque se nem aos pais se respeita dentro de casa, o que se dirá do respeito a um professor na sala de aula.
Isso tudo pode ter começado lá longe, na época dos militares, mas continuou acontecendo e piorando por todos os regimes e governos que vieram depois, de direita, de centro e de esquerda, e continua a mesma porcaria nos tempos atuais.
Isso tudo pode ter começado lá longe, na época dos militares, mas continuou acontecendo e piorando por todos os regimes e governos que vieram depois, de direita, de centro e de esquerda, e continua a mesma porcaria nos tempos atuais.
De Mobral a Enem, de Castelo Branco a Lula, vamos poupar a Dilma que está chegando agora, não mudou nada, só piorou, e isso é a derrocada de qualquer nação.
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